Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Flor

A noite estava agitada.

Ao longe ouvia-se a fúria das ondas que embatiam nas rochas e que tentavam a todo o custo invadir a avenida.

Eu sozinha...perdida em pensamentos e tarefas domésticas.

Não havia ninguém ali...As pessoas, que outrora ali habitavam, já todas tinham ido embora em busca de novos projectos, novos sorrisos, novos lugares que lhes trouxessem novos desafios.

Eu tentava a todo o custo permanecer, por muito que os dias se começassem a tornar cada vez mais iguais e monótonos.

O telemóvel também já não ajudava e por muitas mensagens que trocasse, haviam muitos minutos durante aqueles dias, que teimavam em não passar, que desejava ter-te ali comigo...que não tivesses ido embora, também tu, em busca de novos projectos.

Olho para a cama, que uma noite também foi tua, e apenas vejo almofadas e roupa por arrumar.

Viro a cara, tento sair do quarto mas parece que da memória não me saem os risos e as palavras doces e sensuais, que antes trocavamos com tanta facilidade e agora custam a sair.

Revejo-me, ali, naquele quarto e tudo parece voltar atras...tudo me parece tão real.

Sinto os teus braços, que envolvem a minha cintura e me fazem chegar mais perto de ti...sinto o teu respirar, que ora aumenta, ora diminui de intensidade aquando de um beijo mais demorado...vejo o teu olhar, o teu riso, o teu corpo levemente bronzeado...vejo-te a ti, a nós...

 

SARA

 

E uma vez mais, fecho os olhos e tento absorver cada uma dessas memórias, desses momentos, dessa tua simplicidade com que me dizias nos olhos: "Gosto muito de ti."

Mas tu agora não estás e por isso, uma lágrima que teimava em nao fugir dos meus olhos, acaba por conseguir deslizar pelo meu rosto, morrendo em meus lábios.

Não quero pensar, recuso-me a chorar mais porque esta foi a minha opção - deixar que fosses, deixar tudo para tras e recomeçar.

Anseio por um banho quente, que me faça acalmar o coração e limpar o pensamento.

Anseio por paz interior...por segurança.

Mas eis que sem nada o previsse, a campaínha dá sinal de si.

Não esperava ninguém, pelo menos não aquela hora da noite, e pela minha cabeça percorrem inúmeras ideias de quem podería ser.

Talvez fosse engano...ou talvez não.

Não querendo correr o risco de anular alguma visita inesperada, que tão bem me faría, saio da banheira, enrolo uma toalha ao meu corpo ainda molhado e pressiono o botão que abre a porta da entrada.

Quase que por segundos, o meu corpo é invadido por uma estranha sensação, por um desejo ardente de que pudesses ser tu, mas logo pestanejo e regresso à dura realidade de que não voltarás e deixo que a solidão me volte a invadir...e uma nova lágrima torna a cair.

O corpo que um dia tocaste começa agora a sentir-se fraco e frio, mas a campainha volta a soar.

Sem pensar em mais nada, abro a porta, levanto os meus olhos e vejo o teu lindo sorriso por detras de uma tulipa vermelha.

Pestenejo mal acreditando no que os meus olhos vêm.

Os teus olhos brilhavam, os meus lábios sorriam e uma pergunta em jeito de afirmação vem a deriva: "Eu gosto muito de ti, sabias?"

Apenas consigo sorrir e pegando na tua mão, respondo-te em jeito de brincadeira: "a sério....não sabia..."

As saudades eram mais que muitas, o sentimento de vazio é rapidamente esquecido e logo ali, os nossos lábios se unem num beijo de saudade, os nossos corpos se incendeiam e quebram os medos existentes... e ali mesmo, no hall de entrada, a toalha que envolvia o meu corpo é deixada para tras e eu...volto a sentir-me protegida por ti e em paz.

 

 

publicado por fofinhatuga às 17:17
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

O risco...apimenta!!!!!

Por entre desejos insatisfeitos, beijos molhados que percorriam o meu pescoço e o deixavam marcado com o fogo da tua paixão, por entre pessoas que percorriam as ruas e nos olhavam de forma suspeita e reprovadora...no meio da multidão, no vazio daquela tarde...tudo parecia mágico, nada parecia ter importância.

O desejo não era controlado...o riso era sincero e por momentos quase infantil.

Sentiamos saudades...de nós, dos nossos corpos, que pareciam aquecer a cada novo beijo dado, do toque, do abraço...daquelas palavras meigas e tão sinceras que nos fazem sentir bem e seguros de que tudo ia correr bem...de que tudo aquilo que faziamos era certo.

Fugimos daquela praça, daquelas pessoas que não paravam de correr ou simplesmente de caminhar em busca de uma forma que queriam alcançar e que o Verão e a ginástica não lhes trouxeram...queriamos a solidão, o ouvir do nosso respirar, o som das gaivotas que preferiam as margens ao invés do rio que corria levemente para sul.

Deixamos que as ondas do rio nos levassem para longe de todos e nos prometesse um novo ninho de amor.

Caminhamos sem destino, abraçados como um só.

Mas o fim parecia não vir, a solidão parecia não querer ser alcançada, o ninho parecia querer não aparecer...

 

Olhamo-nos nos olhos e por entre risos e pensamentos arrojados de jovens apaixonados e um tanto ao quanto "inconcientes", deixamo-nos ir, ou melhor, deixaste-te levar pelas minhas mãos para dentro daquelas quatro paredes tão desconhecidas e exíguas aos nossos olhos.

A adrenalina não parava de subir...o desejo aumentava assim como os risos....os beijos...

Nunca pensaste que eu seria capaz de te levar a entrar, sem seres visto,num WC feminino....!!!!

E se por um lado, receavamos que alguém entrasse, ao mesmo tempo, queriamos disfrutar daqueles momentos tão nossos e tão loucos que apimentavam o dia-a-dia da nossa relação.

Sentia os teus lábios a percorrer o meu pescoço, a tua lingua provocava os meus lábios e fazia-me querer mais e mais....as tuas mãos acariciavam os meus seios....e eu deixei-me levar por ti...deixei de querer pensar!!!!

Não haviam sinais de presença ali, apenas se ouviam trechos de conversas trazidas pelo vento de pessoas que percorriam a marginal ao fim da tarde. Estavamos sós...por enquanto...

Despite sem teres propriamente tempo para algo dizer....percorri o teu corpo com as minhas mãos, com a minha boca, com a minha lingua...parei nele, brinquei com ele...provei-te, provoquei-te e fiz-te suspirar e desejar que nada parasse...apenas o tempo.

Despiste-me como se me quisesses devorar. 

Querias sentir o meu corpo junto ao teu, querias toma-lo em tuas mãos, acaricia-lo, beija-lo...E eu sentia o teu coração bater cada vez mais descompassadamente e a razão que outrora te caracterizava, deixou de ter lugar e ali...dentro daquelas quatro paredes, sem ninguém por perto, senti, por uma vez mais, o teu desejo, o teu fervor, a tua paixão, a tua loucura......

Senti-te, a ti, dentro de mim, por um tempo que nenhum de nós soube precisar......e o beijo que selou a nossa loucura, abafou o gemido que ambos quisemos soltar, mas que tivemos de conter!!

 

 

 

I'm feeling: tonta de tanta mudança
publicado por fofinhatuga às 14:21
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