Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Noite de Outono

Na sala apenas o crepitar da madeira nos fazia lembrar que tudo o que se passava naquele espaço era real e não fruto da nossa imaginação.

Era uma simples noite de outono como tantas outras, apesar de esta ser especial e única.

A lua cheia teimava em preencher o céu, tornando tudo à nossa volta bem mais apetecivel a olhares indiscretos. Na sala, um misto de misticismo, romance, sedução e uma luz ténue, que nos dava somente a conhecer os recantos à casa, os móveis, os sofás e a carpete fofa, onde nos haviamos deitado haviam somente 3 horas.

Era a nossa primeira vez, a nossa primeira noite sozinhos, sem malabarismos, sem amigos brincalhões que tentavam perceber o que entre nós se passava.

Estavamos sozinhos naquela noite, eramos só tu e eu numa sala com uma lareira acesa, dois copos de champanhe, uma taça de mousse de chocolate e alguns morangos, que nos tinham sobrado da sobremesa do jantar daquela noite.

Tinhamos organizado um jantar especial para nós naquela noite. Tudo preparado ao pormenor...velas no centro da mesa, guardanapos de pano, copos de vinho e uma música ambiente especialmente escolhida para aquela ocasião.

Estavam reunidos todos os ingredientes para aquela ser uma noite fantástica.

A nossa relação vinha de longe.

A amizade tinha sido o sentimento que nos tinha unido durante anos a fio, que nos juntou e nos fez estar ao lado um do outro nos momentos mais complicados da vida de cada um de nós.

Por nós passaram términos de namoros, rasteiras pregadas pelo destino, momentos de desatino e longas noites de conversas, risos e passos de dança ensaiados. E quando um dia, como tantos outros, te abracei e te pedi mimo porque estava carente, olhei nos teus olhos e desta vez, sem pensar, sem ouvir a razão, toquei ao de leve os meus labios nos teus.

O teu coração bateu mais forte e eu sem perceber o porque de tudo aquilo, peço-te desculpa envergonhada perante aquele meu acto inconsequente.

Como sempre, de cada vez que fazia algo do qual me envergonhava, tu sorrias e abraçavas-me bem forte, fazendo-me sentir segura e confiante de que o meu erro não tería sido assim tão grave.

Foi ali, o começo de algo muito especial que perdurou, se transformou e que hoje nos trouxe a esta sala, a este momento, a esta carpete, para junto desta lareira.

O tempo estava frio. O outono tinha chegado e com ele as noites frias e a necessidade de um ambiente acolhedor.

Depois de um jantar animado pelas minhas conversas doidas e os meus gestos desajeitados para conseguir partir uma simples pata de sapateira, quisemos experimentar algo mais doce, com um leve aroma a chocolate.

A conversa por seu turno, tornou-se mais séria...deixamos para tras as brincadeiras que nos caracterizavam e tendemos a falar um pouco mais de nós.

Já nos conheciamos o suficiente para saber o que ambos estavamos a sentir naquele preciso momento, o quanto os nossos corações palpitavam e o quanto nos era dificil decifrar aquele novo sentimento.

Tentamos perceber o que ambos queriamos, que sentimento era aquele que começava a despontar e num misto de jogo de xadrêz e poker, fomos avançando as nossas peças em direcção ao campo do adversário, nunca sabendo porém, qual o jogo que o seu adversário teria em mãos.

O desejo foi crescendo, a vontade de sentir o outro, de lhe dar prazer, de o proteger foi-se tornando cada vez mais clara à medida que o tempo passava.

A atracção era mútua e já nenhum de nós fazia um esforço para esconder esse sentimento que teimava em dominar-nos, e por muito que soubessemos que o destino daquela noite sería uma longa noite de sexo e erotismo, algo que ambos adoravamos fazer, o que estava ali em questão, não era somente sexo, prazer carnal, orgasmos alcançados mas sim, sentimentos, desejo, paixão, ternura...o que estava em causa eram dois corpos unidos, dois corações interligados, duas vontades que se fundiam numa só.

As mãos partilhavam vontades, os lábios e a língua descobriam dois corpos sedentos de serem amados e redescobertos. Num misto de erotismo e paixão, as roupas foram saindo de forma lenta e sensual, ao som de Joe Cocker num "You can leave your hat on". Mordiscavas o teu lábio inferior e nos teus olhos havia um desejo latente de me tocar, me possuir, de percorrer todo o meu corpo que há tanto abraçavas mas ainda desconhecias.

Sem pressas fomos conhecendo os nossos limites, fomo-nos amando, provocando e num vai-vem de movimentos, gemidos, risos, suores e beijos acabamos abraçados olhando o fogo que aquecia aquela sala só tua e tão nossa.

Dedicado a ti que um dia

 me deste este título

I'm feeling: ...podia estar bem melhor
Music: "Corazon partido" - Alejandro Sans
publicado por fofinhatuga às 11:17
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8 comentários:
De lfcf a 12 de Fevereiro de 2008 às 12:41
:( bonito ...
De amiguinho a 12 de Fevereiro de 2008 às 18:51
Ao ler o post, pensei que me tinhas lido o pensamento. Quantas vezes sonho com uma noite assim, com o mesmo significado. Lindo, intenso, e a facada no coração no final, a fazer lembrar que é um texto, não um desejo...
De fofinhatuga a 12 de Fevereiro de 2008 às 22:53
Facada no coração???
Não entendi
De amiguinho a 13 de Fevereiro de 2008 às 00:33
Os teus textos têm sempre o condão de mexer comigo, de me fazer pensar, imaginar. São tão profundos que por breves instantes me fazem sonhar, um sonho que eu gostaria que fosse real. Adoro o que sinto quando entro nesse sonho, voar, sentir e depois despenho-me, quando depois daquele festival de sentimentos e sensações, percebo que nunca serão reais, nunca serão vividos, nunca serão sentidos. É como amar e ser traído pela pessoa amada. Doi, la no fundo...

Mas bem sabes como sou, esta é a minha sina. Continua com os teus textos, são excelentes e não te preocupes com esta alma louca que anda perdida. Um beijo
De The Highwayman a 17 de Abril de 2008 às 21:22
Não sei se te hei-de agradecer se desejar nunca ter lido...

Mas, de qualquer das formas, parabéns.

*
De fofinhatuga a 18 de Abril de 2008 às 12:55
Lembranças....?
Beijinhos e obrigada pelo teu comentário:)
De The Highwayman a 18 de Abril de 2008 às 14:00
Sim, bastantes...
De fofinhatuga a 18 de Abril de 2008 às 15:57
Somos 2 então...

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