Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Fim

 

 

 

A verdade é que já haviam muitos dias, desde que nos tinhamos encontrado naquele nosso ninho de paixão...o apartamento que ambos alugamos para podermos estar à vontade sem pressões nem medos de sermos vistos.

Viviamos uma paixão proíbida...Tu eras comprometido com uma deusa (como tu a tratavas) e eu também já tinha alguém que, apesar de já não me fazer tão feliz como antes, era a pessoa em quem eu confiava e depositava ainda algumas esperanças, ainda que vãs, para poder ser homem que finalmente me iria conseguir levar ao altar.

Pois bem...enganei-me.

Naquela noite, o Pedro quis fazer-me uma surpresa e convidou um casal amigo, que praticava swing há já algum tempo, para jantar.

Eu não sabia desta surpresa, nem mesmo do jantar.

Apanhada desprevenida e pensando somente que seria mais um jantar de aniversário banal, apercebi-me que algo seria diferente naquela noite.

O Pedro que antes tinha rejeitado essa hipotese, ofereceu-me como prenda de aniversário uma bela festa privada com muito sexo à mistura.

Bem fiquei sem palavras, mas a verdade é que adorei a surpresa e mesmo estando um pouco envergonhada e ele também, acabamos por ter uma das nossas melhores noites de sexo.

A curiosidade aumentou e começamos a frequentar clubes de swing e por entre ambientes de sexo, orgias e muita loucura, foi aí que te conheci.

Nessa altura nada sabiamos um do outro, para nós tudo aquilo era apenas sexo, o realizar de muitas fantasias e quanto menos contacto a nivel pessoal melhor.

A nossa primeira vez foi única...era como se os nossos corpos já se conhecessem há muito e tu sabias exactamente o que eu queria sem nada falar. O Pedro chegou-me a dizer que havia uma quimica entre nós e que começava a sentir ciúmes teus, mas eu não ligava e fingia nada ouvir.

A verdade é que cada vez que entrava naquele bar, o meu olhar instintivamente te procurava no meio dos casais que ali estavam. E tu lá estavas, sozinho perto do bar.

Comecei por meter conversa contigo, conheci-te, devorei-te, satisfizemo-nos para no final te amar como nunca quis amar alguem.

Hoje, passados alguns anos, aqui estamos nós deitados nesta cama, não rodeados de casais que não conhecemos mas só nós, só a nossa paixão.

Tal como no primeiro dia também hoje quis que me seduzisses, me possuisses e me amasses... mas algo tinha que te contar.

Tu estavas calmo e pensativo...eu com uma enorme vontade de te beijar e contar a novidade que tinha para ti. No entanto esperei por ti

"Ana temos de falar"

"Que se passa Miguel? Sinto-te ausente, aflito com algo.

Chateaste-te com a Sofia?"

"Não..."

Considerei que era uma resposta vaga demais e que algo me estava a escapar. Mas como sempre, e porque já tinha aprendido que contigo não valia a pena a técnica do "saca-rolhas", calei-me, esperando que me pudesses dar uma outra resposta.

Ela veio...mas de forma seca e sem qualquer explicação.

"Vou casar com a Sofia. Decidi que ela é a mulher da minha vida."

Sem perceber o que acabara de ouvir, atónita com o que se estava a passar, perguntei-te porquê.

Apenas me disseste que gostavas demais de mim, que eramos almas gémeas, que o teu sonho era ficar comigo, mas que não dava...eramos diferentes e tu nunca ias ser feliz comigo.

Naquele momento, a minha vida parecia ter desabado, o meu sonho, tudo o que eu tinha lutado estava agora a desvanecer como fragmentos de uma ilusão.

As lágrimas corriam-me pela cara, comecei a não saber o que fazer ou dizer...so me perguntava porque é que me fazias isto agora, porquê?

Eu tinha acabado com o Pedro e estava grávida de ti.

Pela minha cabeça passaram os inúmeros momentos em que falamos de filhos e de como seríamos quando envelhecessemos...queriamos envelhecer os dois, juntos, mas...afinal eu não era assim tão importante.

Quis gritar contigo, mas não conseguia falar. Quis perguntar-te o que se tinha passado, mas no conseguia dizer nada. Perguntei-te apenas se era mesmo aquilo que queria. Olhaste-me nos olhos e pela ultima vez, vi uma lágrima a correr-te pela face direita.

Não me disseste nada, apenas me beijaste e me abraçaste como se não houvesse amanha.

Não quis entender-te, não percebi porque é que me fazias isto, apenas olhei para ti e disse-te adeus sem nunca te contar a novidade que me tinha sido dada logo pela manha.

Naquele momento saí do nosso quarto carregando no meu ventre o filho que tanto falaste e me fizeste crer que era o teu sonho.

Era o nosso filho, mas tu nunca o irias conhecer, não como sendo teu.

Enviaste-me um convite para o teu casamento, mas eu nunca cheguei a ligar-te para confirmar.

No dia, ao acordar pela manha, decidi que te queria ver pela ultima vez.

Vesti-me a rigor com um vestido prateado, que me salientava a proeminente barriga de 7 meses.

Estava linda.

Aochegares, viste-me ao longe...

Vieste ter comigo e perguntaste-me como estava, respondi-te que bem. Olhaste para a minha barriga e sorriste - disseste que ficava linda grávida, tal e qual como me tinhas imaginado, mas não me perguntaste mais nada.

Agora, revejo-te na igreja, em pleno altar.

Estas lindo, sem duvida. Ela era uma mulher de sorte.

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publicado por fofinhatuga às 14:54
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6 comentários:
De sensei a 23 de Outubro de 2007 às 16:56
Comovedor e interessante, por tudo o que já falamos. Sinceramente revi aí no meio partes de histórias contadas e decifradas por nós ao longo destes tempos de convivio. Está muito interessante. Tu tens jeito.

Beijinhos fofinha
De fofinhatuga a 23 de Outubro de 2007 às 17:18
Bons tempos de convivio, belas histórias, ...mas vão ficar para sempre comigo.
Obrigado por tudo de coração, mas o jeito acabou-se infelizmente...acabou a inspiração.
Beijo grande fofinho
De sensei a 23 de Outubro de 2007 às 17:26
Tenho pena que decidas terminar o teu blog e com a tua inspiraçao, mas tu é que sabes as tuas razoes. Talvez um dia voltes a escrever, sobre este ou outros temas.

Beijinhos fofinha
De fofinhatuga a 23 de Outubro de 2007 às 17:51
Eu n terminei com a minha inspiração...ela é que quer desaparecer ou está a desaparecer.
Beijinhos fofinho e sorri sempre, nunca te esqueças.
A tua felicidade vale tudo.
De lfcf46thedocter a 26 de Outubro de 2007 às 01:10
antes de mais peço desculpa so agora responder ao teu blog mas tenho andado "desaparecido" ..
so te queria perguntar se esta historia e verdadeira ou fostes tu que imaginastes???

beijos
De fofinhatuga a 26 de Outubro de 2007 às 16:39
Na sua maioria é imaginada, se bem que contem "frutos" também de verdade, de algumas situações vivenciadas e de trechos da memoria.
Beijo

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